| Resumo | Introdução | O filme | Ilustrações | Considerações | A autora |
![]()
O livro de Anthony Burgess
Anthony Burgess, nascido em Manchester em 1917 e falecido em 1993, ganhador de vários prêmios literários, produziu trinta e duas novelas, duas obras teatrais e dezesseis obras não fictícias, juntamente com incontáveis composições musicais, incluindo sinfonias, óperas e jazz. É considerado um dos grandes gênios literários de nossa época.
Entre suas principais obras estão The Long Day Wanes; The Wanting Seed; The Doctor is Sick; Nothing Like the Sun; The Man of Nazareth; A Clockwork Orange e as novelas de Enderby.
A novela em questão neste estudo, A Clockwork Orange, foi escrita em 1962, e conta com três partes de sete capítulos cada uma, somando vinte e um capítulos. Essa versão é a que consta em todo o mundo, menos nas primeiras versões editadas nos Estados Unidos, onde não consta o último capítulo.
Em A Clockwork Orange, Alex De Large, um adolescente de quinze anos amante de música clássica, narra em primeira pessoa os atos de violência que comete acompanhado de sua gangue de drugues (amigos), incluindo estupro, consumo de drogas, roubo, culminando com um assassinato, pelo qual Alex é preso. Na prisão, ele é submetido a um tratamento desenvolvido pelo Estado (tratamento esse que estava sendo usado como plataforma política pelo partido de direita) que consiste numa lobotomia onde, após várias sessões de filmes violentos e injeções de produtos químicos na veia, a pessoa ficava desprovida da capacidade de escolher cometer o mal. Após voltar a sociedade e ser usado num jogo político pelo partido de esquerda, o Estado reverte a sua lobotomia. Alex volta a formar outra gangue de drugues, porém num certo momento, cansado de toda a violência que cometeu, escolhe, por sua própria vontade, ter uma vida normal.
A questão abordada neste livro, trata do princípio de humanidade, que é a liberdade de escolha. A definição de ser humano é justamente possuir liberdade de escolher. Nas palavras do próprio autor:
"...O ser humano é dotado de vontade. E pode usá-la para escolher entre o bem e o mal. Se só pode fazer o bem, ou só pode fazer o mal, é uma laranja mecânica- significa que tem aparência de um organismo adorável, com cor e suco, mas que na realidade é um brinquedo mecânico para ser manipulado por Deus ou pelo Diabo ou (que o está substituindo cada vez mais) o Todo-poderoso Estado. É tão inumano ser totalmente bom quanto totalmente mau. O importante é a escolha moral. O mau tem que existir junto com o bem, de modo que a escolha moral possa existir."Burgess colocou em evidência neste livro suas duas maiores paixões, que são a música e a linguagem.
"Alex não é somente desprovido da capacidade de escolher cometer o mal.Um amante da música, ele respondeu a ela no tratamento, que era usada para elevar a emoção acompanhando os filmes violentos que o fizeram assistir. Uma substância química injetada no seu sangue induzia náusea, enquanto ele assistia aos filmes, mas a náusea é também associada à música. Essa não era a intenção dos seus manipuladores do Estado introduzir esse bônus (ou malus): foi puramente um acidente que, ele reacionará a Mozart ou Bethoven como se fosse matar ou estuprar. O Estado foi bem sucedido em seu objetivo primário: negar a Alex a liberdade de escolha moral, que, para o Estado, era escolher o malígno. Mas foi adicionado um castigo não previsto: as portas do paraíso foram fechadas para o rapaz, já que para ele a música era uma felicidade celestial. O Estado cometeu um duplo pecado: destruiu um ser humano, tendo que a humanidade é definida pela liberdade de escolha moral, e também destruiu um anjo."
Nosso personagem principal é muito vaidoso em relação à estética, tanto musical, visual, quanto linguística (a sua maneira, é claro), e desenvolvendo até um dialeto próprio. Essa linguagem foi construída por Burgess a partir do Russo e da gíria Cockney (das arquibancadas dos estádios ingleses dos anos 50), que é um dos motivos da grande importância deste livro para a literatura mundial.
As diferentes capas ao redor do mundo
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
| Próxima |